UFRN: Palestra a respeito do bem-estar animal e do conceito de sustentabilidade

O Programa de Pós-graduação em Psicobiologia do Centro de Biociências (CB) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) recebe nesta segunda-feira, 03, às 15h, no Anfiteatro das Aves, o Professor da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP), Mateus José Rodrigues Paranhos da Costa, para ministrar uma palestra a respeito do bem-estar animal e do conceito de sustentabilidade.

De acordo com o pesquisador, o bem-estar animal ingressa na cadeia produtiva dos alimentos de origem animal como um critério de qualidade. Com relação à carne bovina, por exemplo, como atributos de qualidade se reconhecem a cor, maciez e sabor e junto a estes estará o bem-estar animal, que pode ser caracterizado como a forma com que o animal foi tratado e as práticas de manejo adotadas na fazenda e no abatedouro.

“Percebe-se uma tendência da sociedade brasileira e dos mercados importadores de produtos de origem animal em demandar dos governos padrões mínimos de bem-estar animal nas cadeias produtivas. Isto porque as questões envolvidas possuem forte presença nos códigos morais e éticos de vários países, sendo que o tratamento apropriado dos animais não é mais aceito como alternativa de livre escolha” diz o pesquisador.

A inserção do conceito de bem-estar na produção animal teve seu princípio a partir de uma iniciativa do Parlamento Britânico, que formou o Comitê Brambell para discussão deste tema, e no ano de 1965 foi publicado um relatório apresentando cinco liberdades, condições mínimas que deveriam ser asseguradas aos animais de produção, proporcionando oportunidades para que eles fossem capazes de: virar-se, levantar-se, deitar-se, estirar seus membros e cuidar do seu próprio corpo.

Esses princípios foram reformulados pelo Farm Animal Welfare Council (Conselho para o Bem-Estar dos Animais de Produção dentro do Parlamento Britânico), elaborando o que ficou conhecido como “As Cinco Liberdades”, segundo estas o animal deve estar livre de fome e sede; livre de desconforto; livre de dor, injúria e doença, livre de medo e estresse e livre para expressar seus comportamentos naturais.

“Produtores e empresas que atendem aos requisitos de bem-estar animal estão em posição privilegiada nas negociações pois estes requisitos se tornam características intrínsecas do produto, expressando um valor econômico potencial. Pequenas alterações de manejo e instalações, mesmo associadas a baixos investimentos, podem representar uma elevação importante no padrão de bem-estar dos animais, minimizando perdas nos sistemas produtivos” conclui o professor.

Mateus Paranhos

Mateus José Rodrigues Paranhos da Costa é formado em Zootecnia na Universidade Estadual Paulista (1981), tem especialização em Comportamento Animal pela Universidade de São Paulo (1986), mestrado em Zootecnia na Universidade Estadual Paulista, doutorado em Psicobiologia na Universidade de São Paulo (1995) e pós-doutorado em Bem-Estar Animal na Universidade de Cambridge (1999).

Foi pesquisador na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Agricultura e Alimentação (FAO), em Roma (Itália) e membro do Comitê de Bem-Estar Animal e Educação da Unidade de Bem-Estar animal da Diretoria Geral de Saúde e Atenção ao Consumidor da União Europeia (DG SANCO), em Bruxelas, na Bélgica.

Atualmente é Professor Assistente na Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, da Universidade Estadual de São Paulo, no campus de Jaboticabal.

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