Discurso de posse de Carlos Eduardo…

Senhor Presidente,
Senhoras Vereadoras,
Senhores Vereadores,
Minhas Senhoras. Meus Senhores.

Não venho para contar a história de uma luta que travei de cabeça erguida. Uma história que todos sabem e conhecem. Nas ruas, nas telas de tevê, nas emissoras de rádio. Lutei desejando vencer, não negaria, mas sem nunca temer a derrota. Porque lutei sem ferir os princípios fundamentais da luta democrática, prestando contas de todos os meus atos e submetendo-os ao julgamento popular. Se sonhei vencer, e venci, foi porque mereci receber o voto desta cidade que desde criança aprendi a amar, respeitar e defender, olhando na sua paisagem humana que é tão minha e por isso tão íntima, os traços da minha própria história.

Para amar uma cidade, e merecer os frutos do seu carinho, não basta saber os nomes de suas ruas antigas e modernas, a geografia dos becos humildes, a história de suas velhas praças. É preciso conquistá-la a cada dia. Administrá-la com honestidade e dedicação. Não tenho segredos a revelar para explicar essa nossa tão longa e harmoniosa convivência. Natal sabe que gosto de ser a sentinela voluntária dos seus dias e suas noites. O vigia do seu sono, o guardador dos seus sonhos. Sou como o alvissareiro no alto da torre da matriz – tenho a honra de defendê-la de todo mal, porque Natal é a nossa casa, a casa de todos, porque Natal somos todos nós.

Venho ao Poder Legislativo da minha cidade, a Casa de Frei Miguelinho – aquele herói que amava a liberdade – para assumir pela quarta vez o mandato de Prefeito de Natal.
Venho reafirmar, diante das Senhoras Vereadoras e Senhores Vereadores da Câmara Municipal, um a um, todos os compromissos que assumi nas conversas, nos encontros das ruas e nos debates, quando comuniquei a cada natalense aquele honrado e orgulhoso desejo de governar Natal mais uma vez. Ninguém governa com legitimidade os destinos de uma cidade e de sua gente, a não ser quando ungido pelo seu voto e garantido pela maioria absoluta da sua vontade livre e consagradora.

Pesam sobre meus ombros nesta hora que vivem a Nação e o Estado os maiores e mais graves desafios que a vida política impôs aos homens públicos nestes tempos tão difíceis e tão árduos que agora vivemos. Tempos de danações medonhas, de pecados feios e sem perdão.

Nunca uma crise foi tão dilacerante. Feriu tantos princípios, degradou tão duramente os homens públicos de um povo que parecia caminhar calmo e feliz para o destino de vencer as injustiças sociais e ser uma das maiores e mais belas Nações do mundo.

Da mais humilde Prefeitura, escondida nos longes deste Brasil gigante, ao Governo Federal, a ninguém é dado desconhecer o terremoto que nos deixou cercados das ruínas da ética, vítimas da recessão brutal e do desemprego, filhos legítimos e perversos da corrupção desenfreada que envolveu o Brasil. Que vença a Justiça sem condenar os inocentes nem perdoar os culpados.

Sim, é profundamente gratificante cumprir o dever de ter a consciência tranquila e as mãos limpas diante de Deus e dos Homens. Mas, devo confessar: é duro vencer, trazer na consciência e nas mãos a honrosa confiança do seu povo, numa hora em que não é possível garantir os dias merecidos de um futuro justo, capaz de melhorar a vida de cada um com o sossego de todos.

Nos últimos meses, lutei além do limite das minhas forças para manter o barco navegando sem riscos de naufrágio, mesmo diante de uma travessia sem porto seguro à vista.

Tenho comigo a lição de Camus, Albert Camus, Prêmio Nobel de Literatura, quando adverte que não se cria experiência, antes é preciso passar por ela, vivê-la.

Enfrento a crise econômica desde meados de 2015 com um pequeno e declinante orçamento municipal. Por isso, muitas vezes, não posso honrar no dia marcado os compromissos, mas jamais admiti negá-los. Não piso na linha da dignidade para parecer poderoso. Não demiti ninguém. Não vendi pedaços do patrimônio municipal posto sob a guarda do Poder Executivo a mim confiado. Não alienei o território da cidade, seu chão e seus direitos. Tudo faço para honrar os milhares de votos que recebi nas ruas, quatro vezes, a primeira como vice, e que os cultivo como símbolos do bem-querer dos natalenses.

A solenidade desta hora diante do Poder Legislativo não impede o gesto da gratidão a todos quanto lutaram ao meu lado e comigo fizeram a nossa pequena e valente legião. Aquela que lutou com a dedicação e o zelo que a democracia exige para um combate livre e respeitoso.

Minha gratidão ao PMDB do vice Álvaro Dias, meu amigo há tantos anos e há tantos outros dando o belo exemplo de coerência. Aos outros partidos aliados e aos meus companheiros do PDT, de quem guardo a bela lição do destemor. A toda minha equipe, principalmente aos servidores municipais que sabem honrar seus salários pagos pelo povo com a prestação de bons serviços todos os dias do ano.

Se há a dívida de uma palavra justa, nesta hora, é com os servidores municipais. Não para enganá-los. Não alimentaria o mais torpe dos sentimentos que é a falsa esperança. Minha palavra é para reconhecer as agruras que passamos a viver nos últimos dias do ano. Lamento, mas não trago, como os Reis Magos, ouro, incenso e mirra. Nem multiplico o trágico para usá-lo como um escudo. Nosso destino é resistir. Não há outro caminho.

Nossas receitas caem, nossos repasses nacionais desabam e as nossas despesas, apesar de todos os cortes e controles, mantêm o crescimento vegetativo inevitável. Não tenho o direito de exigir mais sacrifícios, mas devo dizer, em respeito à verdade, que este primeiro semestre ainda parece sombrio, a julgar pelas previsões da área econômica do governo federal.

A luta é de todos, mas é meu, declaradamente meu, o compromisso de jamais abandoná-los ao longo dessa dura travessia que nos espera. A transparência de todos os gestos há de cimentar ainda mais a confiança mútua que precisamos para atravessar as águas que ainda nos separam do porto de chegada tão distante. Acreditem, chegaremos juntos e vitoriosos. Minha palavra é de convocação. Lutaremos o bom combate. É o que basta.

Foram muitas as lutas, imensos os desafios, mas não será agora, justamente agora, que recolheremos as velas do nosso barco e lançaremos âncoras ao mar.

É hora de continuar navegando, e seguindo, quem sabe, aquela belíssima lição de Dom Hélder Câmara que mais parecia uma chama nas trevas negras do arbítrio. Ele que arrancava suas forças daquele corpo franzino e cheio de coragem, lembrava sempre nas suas crônicas:

– Quanto mais escura for a noite, mais clara será a madrugada.

Sobretudo agora – e falo a todos os quem fazem a Prefeitura – quando já podemos ter o justo orgulho de contar nossa história nos últimos quatro anos de gestão. História que escrevemos juntos e juntos continuaremos a escrever, vaidosos do privilégio de bem servir ao povo.

É uma história bonita. Nela não se perdeu nunca a noção do limite do público e do privado, cometendo a vil promiscuidade que hoje espanta o Brasil e degrada a vida de muitos políticos e executivos empresariais.

Não vivemos nos extremos, não cultivamos o tosco sectarismo dos loucos, não fizemos da intolerância regra do nosso jogo, nem nunca permitimos que o timbre do radicalismo tomasse o lugar do diálogo e do pacto livres e respeitosos. Não nos agachamos um diante do outro. Negociamos ombreados e sem medo, diante da cidade.

É assim, com o compromisso do diálogo permanente que renovo a confiança no Poder Legislativo, a minha primeira grande escola política depois da educação nascida naturalmente dos exemplos familiares.

Sei que também é com a cidade e com seu futuro o compromisso maior desta Casa de Miguelinho. Quem aqui chega para cumprir um mandato popular, tangido pelo espírito público e ungido pela força do voto, não aceita ser funcionário da servidão. Sabe que a maior vaidade do legislador e do executivo é promover o bem-estar individual e coletivo, buscando nos seus espaços de atuação a vitória do cidadão livre.

Mesmo diante da crise, e numa visão rápida e panorâmica, instalamos o hospital Newton Azevedo, a primeira unidade hospitalar municipal de Natal; reabrimos a Maternidade Leide Morais; inauguramos duas UPAS, restauramos e ampliamos 32 unidades de saúde. Reabrimos o Centro de Educação Aluizio Alves, construímos 16 escolas de qualidade, com professores, merenda e fardamento dos alunos, esforço que fez da nossa educação a razão de grande orgulho.

Recuperamos a orla, o Palácio dos Esportes, o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, o Viaduto e o Canal do Baldo, sem uma manutenção verdadeira desde a sua inauguração.

Depois do grave acidente que resultou na abertura de uma cratera em Mãe Luiza, conseguimos transformar aquela área em um portal bonito e iluminado que se abre para a cidade e ainda economizamos e devolvemos recursos para a União.

Entregamos o residencial São Pedro, abrindo caminho para a ampliação do porto na área antes ocupada pela comunidade do Maruim.

Mantive os serviços básicos funcionando – coleta de lixo, limpeza das ruas e praças; os transportes públicos, a iluminação e a guarda municipal, deveres inegociáveis.

Cumpri os compromissos da cidade com a Copa do Mundo construindo no tempo exigido o Complexo Viário Dom Eugênio Sales, o maior conjunto de obras do sistema viário urbano de Natal, desobstruindo uma das áreas congestionadas no ir e vir dos natalenses e completamos com a instalação de binários, corredores de ônibus e ciclovias, melhorando a fluidez no trânsito.

Acreditem, temos uma boa história para contar aos natalenses. Não há motivos para nos sentirmos órfãos da esperança, a mais terrível das orfandades. Lutaremos por amor a este povo que vive nesta cidade tão bonita.

Antônio Gramsci pode ter razão quando afirma que a crise ‘é o momento em que morre o velho e o novo não pode mais nascer’. No caso do Brasil, o novo nasceu nas ruas com os brasileiros atentos e cobrando duramente dos seus homens públicos. Não somos uma ilha. Estamos igualmente mergulhados na crise, mas ela não vencerá as nossas esperanças. Lutaremos juntos na defesa da nossa Natal. Perto do povo, ouvindo sua voz. Os nossos avanços só atestam a nossa capacidade de luta. Vamos avançar. Olho no olho, dedo firme no gatilho, para lembrar o belo poema de Paulo Mendes Campos.

Senhoras Vereadoras
Senhores Vereadores

Faço um registro a memória de meu pai, Agnelo Alves, que desta vez não está presente aqui.

No exemplo dele, aprendi que governar é servir aos anseios do povo porque só do trabalho nasce o líder. No exercício da vida pública, o lastro seguro é aquele feito com as pedras da confiança. Pedras que galvanizam o líder no calor da luta, e a quem cabe honrar esse chão que lhe sustenta nas grandes caminhadas.

Agora, diante de Deus, guardado pela força das orações de D. Celina, minha mãe, e enternecido pela solidariedade sem limites dos meus filhos e da minha mulher, assumo a Prefeitura de Natal consciente dos meus deveres e carregando comigo a eterna gratidão por cada voto recebido.

Hoje, como ontem e como amanhã, nesta Natal dos Reis Magos, entre o rio, o mar e os morros, traços eternos de sua fisionomia, lutaremos juntos para que o humano um dia vença o desumano, em nome de Deus.

Obrigado a todos.

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