Mulheres de presos do RN levam para fora dos muros guerra entre facções

Informações: Folha de São Paulo
Informações: Folha de São Paulo

Duas batalhas ocorrem no presídio de Alcaçuz. Uma dentro e uma fora. Na de dentro, ao menos 26 presos foram mortos entre o sábado (14) e o domingo (15), em uma disputa de fações criminosas, o Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte e o PCC.

A guerra de dentro continuou nesta quarta-feira (18), cada lado querendo destruir o outro. A polícia, armada nas guaritas, tentava separá-los com a força da bala.

A disputa de fora é mais sutil, uma guerra anunciada, quase sempre a uma fagulha de ocorrer. É a disputa das mulheres dos presos de Alcaçuz.

A divisão interna do presídio –PCC em um pavilhão e Sindicato do Crime nos outros quatro– se repete no entorno. Cada grupo de mulheres fica próximo de onde seus maridos e filhos estão.

Os dois lados, a cerca de 800 metros um do outro, se odeiam e vivem se ameaçando. “Elas acham que porque os maridos delas são do PCC, podem tomar partido deles. Acho errado, mas se elas vierem, a gente vai se defender”, diz Jussara, 25, cujo marido está na ala dominada pelo Sindicato do Crime.

“A gente não ousa pisar no lado delas, mas não aceitamos elas aqui”, diz Amanda, 29, do outro lado. Seu marido, preso há dez anos, faz parte do PCC. “A regra deles [presos] vale para nós. É matar ou morrer”.

No final de semana, uma briga irrompeu entre os grupos do lado de fora do presídio e uma mulher foi ferida com uma facada.

“É a mesma coisa deles, tudo ou nada”, diz a dona de casa Joana, 27, na ala do Sindicato. Todos os nomes são fictícios, a pedido das mulheres.

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Folha de São Paulo: RN registra nova rebelião em presídio do interior do Estado; preso é morto

Presos de mais um presídio do Rio Grande do Norte iniciaram uma rebelião na noite desta quarta-feira (18). Dessa vez, foram os detentos da penitenciária estadual do Seridó, conhecida como o Pereirão, na cidade de Caicó, que iniciaram o motim.

Segundo o governo do Estado, um preso foi morto no tumulto, que teria sido iniciado por volta das 21h30 (horário de Brasília) por membros da facção Sindicato do Crime do Rio Grande do Norte, que não aceitariam a chegada de presos do PCC.

Os presos atearam fogo em colchões e alguns deles subiram no telhado da penitenciária com tecidos com o nome da facção. A penitenciária tem capacidade para 257 presos e abriga atualmente 297.

Do lado de fora da cadeia, três veículos da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Caicó e um ônibus foram incendiados na noite desta quarta. Os atos ainda estão sendo investigados pela Secretaria de Segurança Pública, mas a suspeita é que tenham ligação com a guerra de facções instalada nos presídios potiguares.

Um dos automóveis incendiados era responsável pelo transporte de pacientes para tratamento de hemodiálise.

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Após ataques, ônibus de Natal voltam às ruas com frota reduzida

Informações: G1/RN - Foto: PM
Informações: G1/RN – Foto: PM

Os ônibus que circulam em Natal voltaram às ruas da cidade com a frota reduzida na manhã desta quinta-feira (19). É o que afirma o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário do Rio Grande do Norte (Sintro-RN). A frota foi recolhida no final da tarde da quarta (18) após vários veículos serem incendiados. Ao todo, dezessete ônibus, um micro-ônibus, um carro do governo do estado e duas delegacias foram alvos de criminosos. O vídeo acima mostra um dos ônibus em chamas. Não há informação de pessoas feridas.
Segundo o secretário de Segurança Pública, Caio Bezerra, está sendo investigado se os ataques têm relação com a crise no sistema penitenciário do estado. “Pessoas já foram presas”, afirmou, mas sem revelar a quantidade de detidos.

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