Homens da Lava Jato pousam como heróis para Folha de S. Paulo

Os procuradores que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato posaram para uma foto que promete dar o que falar. Estampada na primeira página da Folha de S. Paulo, a imagem contribui para espetacularização do Poder Judiciário e retrata os representantes do Ministério Público como os heróis de “Os Intocáveis”, personagens de um filme que fez sucesso em Hollywood, na década de 90.

Na imagem atual, o procurador Deltan Dellagnol, aparece ao centro, ladeado por seus colegas na investigação – ao todo, são nove os investigadores. No filme hollywoodiano, o mocinho era Kevin Costner, que lutava contra o poder de Al Capone.

A reportagem traz também declarações interessantes dos procuradores. Carlos Fernando Lima, um dos principais nomes da investigação, diz que o blefe foi uma das táticas para convencer alguns empresários a fazer delação premiada. “No começo, lançamos um grande 171: espalhar que já tinha gente na fila para colaborar, deixamos as pessoas saberem que já tinha uma pessoa ou empresa interessada, mas a gente não tinha nada. Aí começaram a bater na nossa porta”, disse ele.

Os procuradores também fazem dois apelos. O primeiro, para que os executivos e empresários presos há mais de 120 dias, de forma preventiva, não sejam soltos pelo Supremo Tribunal Federal. O segundo, para que os acordos de leniência negociados pela Controladoria-Geral da União com as empresas, que preveem o pagamento de multas, mas preservam vivas as construtoras, sejam inviabilizados.

“Se houver a soltura de réus agora, muitos deles com dinheiro sujo escondido no exterior, esses processos podem ser atrasados por dez, quinze anos”, disse Deltan Dellagnol.

“A CGU foi feita para controlar corrupção de funcionários públicos, não para ser a salvadora do emprego. Se o governo quer criar um Proer, que o faça no lugar certo, que é o Congresso”, completou Carlos Fernando Lima.

O argumento do governo para negociar os acordos de leniência é a necessidade de preservar as empresas, os empregos e o conhecimento adquirido pelas empreiteiras. Desde o início da Operação Lava Jato, mais de 250 mil empregos foram eliminados no setor de construção.

Fonte: 24/7

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